Você sabia que o Google Maps guarda um histórico de onde você esteve, com horário de entrada e saída de cada lugar?

Essa função se chama Linha do Tempo, e ela pode ser usada como prova de horas extras na Justiça do Trabalho.

Mas tem um detalhe importante: você tem, no máximo, 3 meses antes de esses dados serem apagados automaticamente.


Como funciona a Linha do Tempo do Google Maps

Se você usa um Android ou tem o aplicativo do Google Maps no iPhone com a localização ativada, o app registra seus deslocamentos: onde você foi, a que horas chegou e a que horas saiu.

Isso inclui o seu local de trabalho.

Se você ficou no escritório até as 21h enquanto o ponto marcava 18h, a Linha do Tempo pode mostrar exatamente isso.


A Justiça do Trabalho aceita essa prova?

Sim. O TST (Tribunal Superior do Trabalho) validou o uso de dados de geolocalização como prova de jornada em maio de 2024, e reforçou esse entendimento em setembro e outubro de 2025.

Vários TRTs (tribunais regionais) pelo país seguiram o mesmo caminho, incluindo o TRT do Rio de Janeiro.

A regra geral: a prova é válida quando você mesmo autoriza o uso dos seus dados no processo. Ninguém pode usar sua localização sem a sua permissão, mas você pode usar a sua.


Como salvar esses dados agora

Esse é o ponto mais urgente deste artigo.

Em dezembro de 2024, o Google fez uma mudança silenciosa e importante: os dados da Linha do Tempo deixaram de ficar armazenados na nuvem (nos servidores do Google) e passaram a ficar gravados apenas no seu celular.

E o prazo de exclusão automática caiu de 18 meses para 3 meses.

Atenção: se você não exportar os dados, eles somem em 90 dias e não há como recuperar. Nem o Google consegue mais acessar essas informações pelo servidor.

Como exportar no Android:

  1. Abra o Google Maps
  2. Toque na foto do seu perfil (canto superior direito)
  3. Vá em Configurações > Localização > Linha do Tempo
  4. Toque em Exportar dados da Linha do Tempo
  5. Salve o arquivo em um lugar seguro (no celular e em backup)

Como exportar no iPhone:

  1. Abra o Google Maps
  2. Toque na foto do seu perfil
  3. Vá em Configurações > Conteúdo pessoal > Exportar dados da Linha do Tempo

O arquivo vai sair em formato JSON, mas é só isso que você precisa guardar.


Só ter o arquivo não basta

Guardar os dados no celular é o primeiro passo. Mas para usar como prova no processo, você precisa autenticar esse material. Caso contrário, a empresa pode alegar que o arquivo foi adulterado.

A forma mais segura é a ata notarial: você leva o celular a um cartório, abre a Linha do Tempo na tela, e o cartório documenta o que está sendo exibido, com fé pública.

Isso transforma uma captura de tela em prova formal.


O que a empresa pode alegar para tentar derrubar essa prova

Não existe prova infalível. Empresas costumam usar estes argumentos:

"O celular estava lá, mas a pessoa não estava trabalhando."
O GPS prova que você estava no local, não prova, sozinho, que estava prestando serviço. Um celular esquecido na mesa também aparece na Linha do Tempo.

"Os dados podem ter sido alterados."
Por isso a ata notarial é importante. Dados sem autenticação são mais fáceis de questionar.

"Isso viola a privacidade."
Não se você mesmo autorizou o uso. Mas se a empresa tentar usar a sua geolocalização sem a sua permissão, aí sim há discussão, e o TRT do Rio Grande do Sul já rejeitou provas obtidas sem consentimento.


Como essa prova fica mais forte

A geolocalização raramente funciona sozinha. O que realmente pesa é o conjunto:

ProvaO que mostra
Linha do Tempo / GPSVocê estava no local, nos horários indicados
Mensagens de WhatsAppVocê estava atendendo o empregador naquele horário
E-mails corporativosVocê estava em atividade profissional
Registro de pontoSe o ponto diz 18h e o GPS diz 21h, contradição que fala alto
TestemunhasConfirmam a rotina além do horário

O cenário mais forte: ponto registra saída às 18h, GPS mostra você no trabalho até às 21h, e há mensagem de WhatsApp do seu chefe às 20h pedindo uma planilha. Difícil de rebater.


O que você deve fazer agora:

  1. Exporte os dados da Linha do Tempo hoje. Não amanhã. Você tem no máximo 3 meses antes de esses dados serem apagados.
  2. Guarde em mais de um lugar. Celular, e-mail, nuvem, não dependa de um só.
  3. Anote as datas específicas. Quais dias você ficou mais tempo? Lembre dos períodos mais críticos.
  4. Procure um advogado trabalhista antes de entrar com ação. Essa prova precisa ser apresentada corretamente para ter valor.

Uma ressalva importante

Este artigo é informativo. Cada caso tem suas particularidades, e a viabilidade de usar essa prova depende dos detalhes do seu contrato, da sua jornada e do que você tem documentado.

Nenhum conteúdo aqui substitui uma consulta jurídica.